A Lua, o feminino, a natureza

Segunda, dia da Lua, que após se mostrar em sua totalidade de luz no terreno do signo de Sagitário,  quando se opôs e recebeu toda luz do Sol em Gêmeos, protagonizou o show da Lua Cheia. Momento em que nós mulheres sentimos maior influência, a Lua é um dos símbolos que representa o feminino com todas suas pluralidades, com nosso ciclo menstrual, nossas mudanças hormonais, nossa fertilidade, produzimos vida, amamentamos, nosso corpo é sagrado como tudo que emerge da natureza.

A mulher é o ser que mais simboliza a junção entre a espécie humana e a natureza, como somos todos parte de um Todo maior, cíclico e eterno. O planeta terra é feminino, a natureza tão adorada mas ao mesmo tempo tão negligenciada é um reflexo do que nossa sociedade patriarcal sempre fez com as mulheres, exploração e dominação, e pagamos o preço disso a duras prestações, homens e mulheres.

Natureza  que mesmo com sua exuberância e potência é considerada menor diante do homem ser pensante, coisas herdadas de um antropocentrismo prepotente que nos acompanha há algum tempo, pois o homem com sua mente e sua obsessão por poder insiste em querer dominá-la ao invés de compreendê-la e aprender a viver em consonância. E estamos todos aqui, sofrendo por termos adquirido uma vida que mais parece antinatural,  tentando entender como viver melhor, como compreender nossa porção de conexão com a natureza ao redor, com o feminino que sobrevive porque é resistência.

A Lua já adentrou em Capricórnio, terreno seco e infértil, morada de Saturno. Mulheres resistem  desde que o mundo é mundo, seja de explorações, abusos, direitos impedidos, violência, o medo da potência da mulher tem a ver com o medo que o homem tem da natureza e essa tentativa incessante de criar algo que a substitua, que seja melhor que ela, mas aprendemos com a idade, ou com a escassez e miséria humana ao redor, que esse processo só nos afeta, nos adoece como espécie e sociedade.

Evoluímos em tecnologia, mas deixamos muita coisa de lado como seres humanos, principalmente a consciência que pertencemos a um Todo maior, que somos seres pensantes e cheios de possibilidades maravilhosas de criação, mas isso não nos faz superiores ou entendedores de tudo. A ciência nos dá um mundo de novas oportunidades, mas não deu conta de tudo, nem nunca dará – assim como um mundo que a rejeite também não se sairá muito bem . O ser humano não tem todas as repostas, nem nunca terá, e olhar a natureza, observar a mulher, o feminino, com respeito, aceitação e mais ainda, como algo sagrado, é ainda uma batalha que apenas começou, mas somos mulheres, somos lunares, somos resistência, assim como a natureza.

Carla Midões

Illust: @cargaillustration – Carmen Garcia Gordillo

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