Carlos Drummond de Andrade

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Sob a égide do Sol em Escorpião no momento exato em que a Lua encontrava o astro Rei, na linha do horizonte, poucas horas do Sol nascer no céu, marcando o início da Lua Nova, nascia Carlos Drummond de Andrade, em Itabira, Minas Gerais.

Ascendente no terreno noturno de Marte, Escorpião. Sol que fala sobre os propósitos da alma, Lua que fala das nossas emoções, em queda, ambos imersos na água profunda e silenciosa do oceano. Onde tudo é profundo, cru, visceral, intenso: “o amor bate na aorta”.

 É a água que procura cada vez mais o mergulho, entrar em cada fresta, cada buraco, quer investigar, entender tudo que pode para extrair significado do que se sente, porque ele é todo sentir.

“amar o inóspito, o áspero,

Um vaso sem flor, um chão de ferro”

Escorpião é o signo mais profundo e intenso de todos, porque possui o misto da natureza poderosa da água que invade, destrói mas é fundamental para o nascimento e nutrição de tudo que possui vida, e é morada do Deus da Guerra, Marte.

“Os desiludidos do amor

estão desfechando tiros no peito.

Do meu quarto ouço a fuzilaria.”

Drummond era poeta, e dizem que a poesia é a arte de escrever sobre o indizível, sobre aquilo que a sintaxe não consegue muitas vezes exprimir. Tinha Mercúrio em Libra, que fala da beleza da palavra como obra de arte, na casa 12, onde moram nossos segredos, nossos sentimentos e impressões mais obscuras, mais secretas. Lá também mora sua Vênus, domiciliada em Libra,  mas ele era poeta, fazia da dor, da inadequação, obra de arte.

Seu Marte, dono do terreno de seu ascendente está em Virgem, terreno de Mercúrio, onde a palavra perfeita é seu ofício, sua válvula propulsora de vida.

Foi professor, funcionário público e redator. Seu lote do trabalho está em sua casa 4, a casa que fala da terra natal, e Itabira é muito presente em sua escrita. Saturno regente do lote do trabalho caminha domiciliado em Capricórnio, que exalta justamente no terreno de casa 12, Libra, onde mora sua Vênus, seu amor.

“(…) É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”

Carla Midões

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