Marte em Aquário retrógrado

Terça dia de Marte

E o guerreio caminha em Aquário, retrógrado, como se voltasse para não trombar de frente com o Sol, por oposição, em Leão. Às vezes é preciso saber que a melhor maneira de ganhar uma guerra é recuando. 
Marte fala da força que nos coloca para a frente na vida, fala da nossa coragem diante do nosso destino, e nem sempre dar a cara para bater, colocar os soldados nas trincheiras é a melhor opção. Marte simboliza o que é preciso que seja feito, e agora, entrar em discussões ou brigas não vai fazer nenhum dos lados chegarem a uma vitória. Marte em Aquário recua, porque prosseguir tem mais a ver com egos e vaidades do que resolver de fato o que se precisa. É preciso ter frieza e objetividade, ser racional, o guerreiro está em um signo que propicia tudo isso.
A Lua, por sua vez, caminha em terreno de Peixes, onde a racionalidade não é muito a prerrogativa, Peixes oferece um terreno para as emoções e o corpo acessarem outros universos possíveis. Onde tudo parece ser realidade, tudo pode combinar e funcionar. Mas a Lua caminha para um trígono com Júpiter, que está no terreno da queda da Lua, Escorpião. Onde as emoções passam de um amor incondicional cheio de fantasias possíveis para a tensão latente, explosivas até, pelo contato com Júpiter em casa de Marte. E mesmo sendo o trígono um aspecto de fluência entre os planetas, que chamamos de benéfico, a verdade é que as emoções vão se dar conta que a justiça não mora nem na guerra nem nas fantasias idílicas que o imaterial pode nos proporcionar. 
A Lua vai de Júpiter até Vênus, em queda, em Virgem, as emoções são cortadas pela fria racionalidade da Vênus em terreno de Mercúrio. Lua que se opõe a Vênus, e oposições falam do que é doloroso, do que precisa ser cortado e cauterizado para continuarmos no caminho do nosso destino, continuarmos a viver, e aqui a mensagem gira em torno do amor, das nossas emoções e das do outro também, das nossas relações amorosas. Como se agora – algo que falo desde o momento anterior ao eclipse – fosse o momento de pensar e refletir nossas relações amorosas, o que pode ou não ser aparado, o que deve ser encerrado, o que deve ser visto de forma fria e racional, sem os ânimos e corações exaltados. Terminar relações não é terminar com um amor. É saber que, como diz uma grande amiga, é preciso amar para estar com alguém, mas é preciso amar duas vezes mais para saber que tanto você, quanto essa pessoa, precisam prosseguir separadas para serem felizes.

Como fala o trecho da música de Clara Nunes

O Sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente

Carla Midões
Ilustrações de Kat Menschik para o livro de Haruki Murakami, Sono. Ed. Alfaguara

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