Marte em Capricórnio

Terça dia de Marte, o senhor da guerra. Dia do planeta que simboliza as lutas que travamos pelos caminhos do nosso destino. Da nossa força motriz que nos orienta para onde rumar quando o mar está bravo…ou manso demais. Como são as armas que você usa para guerrear, para conquistar o que você quer?

Marte está caminhando retrógrado em terreno de sua exaltação, Capricórnio. Terreno frio e seco. Aqui o guerreiro trabalha a mando de Saturno, o senhor do tempo, cansado, recolhendo o que aprendeu em suas últimas batalhas. E caminha determinado, pois saber o melhor momento de agir ainda é a mais difícil e a melhor estratégia. E, é claro que essas respostas não nos chegam sem que tenhamos – querendo ou não – que fazer algum corte ou mudança que nos marque profundamente. É o jeito de Saturno, e o modus operandi dos signos que lhe oferecem morada – Capricórnio e Aquário. Saturnina é a máxima: o que não nos mata, nos fortalece.

A Lua entrou em terreno de debilidade, seu exílio, em Capricórnio, as emoções caminham na casa da melancolia. Melancólicos são os filhos de Saturno. Sabem da dureza e aspereza da vida, não há tempo para sonhar, nosso tempo é escasso e a vida é como nos é destinada, não como nós gostaríamos, na maioria das vezes. Duro, doloroso, é assim que o mundo é para um filho de Saturno, seja de Lua, Sol, Mercúrio… onde Saturno estiver no mapa, ele delineia sobre nossos medos, angústias, e provavelmente onde vive nossos maiores desafios. Saturno é o grande deus do olimpo, o que coordena tudo, é o senhor do tempo. E o que é o tempo do que nosso ordenador, seja o tempo do relógio – o estabelecido socialmente – ou o crônico, o que nos marca em nosso corpo, nossa pele, quando de infantes nos tornamos adultos e depois, nosso caminhar pelo envelhecimento até o final de nossa trajetória por aqui. É, não falamos de coisas acolhedoras, fáceis de digerir, é assim quando se trata do senhor do dia em casa de Saturno, e a Lua transitando na morada da melancolia e da resiliência, que fique dito também.

Carla Midões

Photo: F.C. Gundlach, 1966

Eu trago a belíssima música: o velho e o moço – los hermanos

“Deixo tudo assim
Não me importo em ver
A idade em mim
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto

(…)

Sei do escândalo
E eles têm razão
Quando vêm dizer
Que eu não sei medir
Nem tempo e nem medo”

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