Quarta, dia de Mercúrio, o mensageiro dos deuses, o planeta que fala como se dão nossas trocas mentais, como nossa mente compreende o mundo, o que nos aciona mentalmente, como se dão nossos processos de comunicação com os outros.
Mercúrio caminha nos graus finais do signo de Leão, terreno do astro rei, o Sol. A ideia que nos chega traz a grandiosidade, a exuberância, a vontade de expor o nosso melhor para que os outros reconheçam o tamanho de nossa potência. Mercúrio caminha para chegar em terreno de sua casa noturna, Virgem. Ali é local em que ele está em casa e se exalta ao mesmo tempo.
A mente que é precisa, afiada, afinada. A mente, esse caldeirão de possibilidades.
A Lua, por sua vez, caminha em casa, Câncer, já se opôs a Saturno. Memória e Tempo num embate onde ambos fortalecidos discutem o que deve ficar, o que deve seguir. Memórias que são o fundamento do que nos forma, nossa identificação pessoal, mecanismo fundamental para reconhecer nossa própria história. De qualquer maneira, essa oposição traz a constatação de que ficar ancorado no passado não impedirá o tempo de prosseguir. Assim como fingir que ele não existiu é um caminhar esvaziado de propósito, de sentido. E a dificuldade é saber com o que se deve prosseguir. Seguir a razão, os sentimentos, o momento oportuno, seja qual for a escolha , fato é que teremos que escolher, e que seja o que for melhor, o que sirva como amparo para a caminhada que se segue, porque ela nunca é fácil.
A Lua, agora, faz aspecto com Júpiter, em Escorpião. É um trígono, aspecto que indica fluência entre os planetas, mas há um desconforto que paira no céu. As emoções estão num transbordar, numa vontade de que todos sentimentos que nos invadem consigam achar um porto seguro onde desaguar… Mas Júpiter, em Escorpião, signo em que a Lua tem sua queda, parece que fica nos apitando ao ouvido: cuidado, se proteja, não abra sua guarda. Tudo ainda anda bem nebuloso. Mas o que é latente é mesmo a vontade de deixar toda essa água, todas essas emoções, tomarem conta de tudo. Respirar para não se afogar, ainda é o melhor a se fazer.
Carla Midões
Desenhos da artista de Bali, Indonesia – Yuschav Arly







