Domingo, dia do Sol.
O dono do dia acaba de se despedir do terreno de Capricórnio, casa noturna de Saturno, e entra no terreno de seu exílio, Aquário, que é também morada diurna do senhor do tempo.
O Sol que fala dos propósitos da alma do nativo está no signo de Aquário, que é um terreno que versa sobre alteridade, que parte da noção que só há a existência do indivíduo porque há o outro.
Em terra de Aquário a pluralidade de universos e olhares, a curiosidade no diferente e diverso é o que o mantem nutrido. Só presenciando o outro em sua individualidade, em sua verdade máxima, em como ele se relaciona em sociedade nos possibilitará nos enxergar, descobrir quem somos, um exercício eterno de alteridade, claro.
Não se trata de simplesmente se colocar no lugar do outro. Mas saber que mesmo não concordando ou compreendendo direito o outro as pessoas possuem total direito de ser quem são. E só assim poderei ser quem sou.
Aquário é aquele signo que consegue ser alguém com um mundo interior muito particular, quase que paralelo a realidade, mas que ao mesmo tempo está sempre no meio da galera, precisa disso. Aquariano é um mix de antropólogo, sociólogo e cientista social. Ele experimenta coisas sem preconceitos, observa o redor e tece ideias e teorias, pega o que ele identifica como dele também, mas também é um signo fixo, gosta de estabelecer mecanismos próprios, mesmo sendo alguém que se permite ao novo é alguém que até para isso cria métodos.
Cada planeta estabelece uma relação diferente com Aquário, O Sol está em exílio quando está em Aquário. É uma debilidade, e como tal, penso que é aquela pessoa que só vai conseguir mergulhar no autoconhecimento quando sair de si e mergulhar no outro. Tô falando de mergulho não de boiar no rasinho, sair do mental e partir pra materialidade das relações.
Carla Midões
Ilustrações: da Slovena , Alja Horvat








