Vênus é senhora das sextas-feiras, e ela transita sobre terreno de seu exílio, Escorpião. Terreno quente e seco, contrário à sua natureza, fria e úmida, onde o que brota é o que persevera, o aprende a viver com a profundidade que mora na escassez, que aprende a extrair, depois de tanta estiagem, o amor no meio do caos e adversidades.
E no terreno noturno de Marte, Escorpião, o amor nasce feito um milagre que supera todas os indícios contrários, amor que sobrevive a tempos secos, inóspitos, estiagens severas. E por isso, no terreno de Escorpião, o amor é feito de coragem, é para os corajosos – que nada tem a ver em não ter medo, mas de ir com medo mesmo – e ele nos leva para universos profundos, lá onde moram as raízes dos afetos, onde se sabe que não há um mundo cor de rosa e perfeito para o amor. Para ter o amor, é preciso trabalhar, lutar, manter o foco e agir para que ele se materialize, se mantenha, seja sólido, independente dos ajustes que ele exige para se manter.
Vênus nos termos de Marte, disposta também por Marte em casa de Saturno, Aquário. O amor é formado na mente, no verbo, na nossa racionalidade que busca a estabilidade e fixidez e não fantasias inatingíveis que se dissipem a primeira nevoada. Marte que trabalha a mando de Saturno: o amor é algo para se esculpir na rocha, sobreviver a marés altas, ventos revoltos e ao sol que bate e muitas vezes nos deixa cegos ou invisibilizados.
Carla Midões
Imagens: Aykut Aydoğdu







